Diabetes em cães e gatos

Não controlar a doença pode levar seu pet a cegueira!
Diabetes em cães e gatos

Todo alimento consumido, é eventualmente convertido em açúcar (glicose), que é a fonte de energia para todos os órgãos. Se muita comida for consumida, as calorias extras podem ser estocadas pelo corpo para conversão em açúcar mais tarde. O açúcar é transportado pelo sangue para todas as áreas do corpo, e qualquer célula que esteja necessitando de açúcar simplesmente usa o açúcar presente no sangue. Mas para que as células “puxem” o açúcar para seu interior a partir do sangue, uma substância chamada insulina é necessária. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, e é essencial para a vida.

A diabetes ocorre quando a insulina não é produzida, quando o organismo produz em baixas quantidades ou tem alguma condição que interfere na ação da insulina. Devido a isso existem duas formas de diabetes melitus:

Diabetes Melitus tipo I ou insulino-dependente
Diabetes Melitus tipo 2 ou não insulino-dependente
O diabetes é uma doença muito comum em humanos, cachorros e gatos. Cerca de 10% das pessoas com diabete melitus possuem a doença tipo I e 90% tipo II. Aproximadamente 60% dos gatos diabéticos possuem tipo I e 40% tipo II. Praticamente 100% dos cães com diabetes, possui a doença tipo I.

O que acontece num animal com diabetes?

Sem a insulina para remover o açúcar do sangue, ele começa se acumular, até que ao atingir certo nível sanguíneo, ele começa a ser extravasado pela urina através do rim, gerando dessa forma uma grande quantidade de urina.

Como eles começam produzir muita quantidade de urina, e acabam perdendo muito volume de água, torna-se necessário repor o volume perdido, e por isso começam beber muita água.

Já as células que precisam do açúcar como fonte de energia, ficam sem acesso a esta fonte e começam literalmente “morrer de fome”. Com isso enviam mensagem de alerta que está faltando energia, e o animal diabético começa comer cada vez mais e mais. Mesmo o animal comendo muito, as células continuam não tendo acesso a energia e mandam novas mensagens de alerta ao organismo que começa degradar gordura e músculo para obter energia para as células. Porém, mesmo com todo este esforço o organismo ainda não pode utilizar o açúcar proveniente deste processo.

Os sinais clínicos dos diabéticos, portanto refletem todo este esforço do organismo: os animais acometidos bebem água em excesso, urinam grandes quantidades, aumentam consumo de alimento e emagrecem muito.

O diagnóstico do diabetes é feito através da dosagem do nível de açúcar no sangue (glicemia), nível de açúcar na urina (pela urinálise) e presença dos sinais clínicos descritos. Os gatos podem sofrer influência do valor da glicemia devido ao estresse (pela própria ida ao veterinário, manipulação) e portando os valores de glicemia podem estar muito mais elevados durante a consulta e não refletir de forma fidedigna o que está acontecendo no organismo. Neste caso, para os gatos optamos pelo exame chamado frutosamina para triagem do paciente diabético. Este exame mostra o valor da glicemia sanguínea das últimas 3 semanas, e não sofre alteração com o estresse.

Uma vez diagnosticada a doença, inicia a parte mais complexa: o tratamento!

Como foi dito anteriormente a minoria dos cães e gatos, possuem diabetes tipo II. O tratamento para este tipo inclui: perda de peso, dieta própria para diabético e medicação hipoglicemiante via oral. Bem como monitoração frequente dos níveis de glicemia. Poucos gatos respondem exclusivamente a este tratamento.

Já o tratamento do diabetes tipo I (100% dos cães e 80 – 90% dos gatos) é feito com injeções diárias de insulina para toda a vida, associada a alimentação própria pra animal diabético (que contém ingredientes que regulam a produção de glicose), exercício e monitoração constante através de exame de sangue e urina.

Existem vários tipos de insulinas humanas no mercado, e apenas um tipo de insulina veterinária. O que varia entre elas é a origem da insulina (humana recombinante ou suína) e a duração do efeito (curta ação, intermediária e longa ação). Em geral os cães e gatos se adaptam bem a insulina humana e a mais utilizada de rotina é a de ação intermediária. A de ação rápida é utilizada apenas em casos de emergência, quando a glicemia atinge níveis elevadíssimos.

Atualmente a insulina de escolha para os cães é a NPH humana e para os gatos a Lantus.

Em medicina veterinária, como lidamos com diversos tamanhos de animais, o tipo de seringa utilizada para aplicar insulina deve ser adaptada para o tamanho do animal e quantidade de gordura que ele possui. Existe 3 tipos de seringa: de 30 unidades, 50 e 100 (capacidade total de 0,3 ml, 0,5 ml e 1 ml respectivamente), todas com opção de agulha longa ou curta. Cães muito pequenos e gatos, que irão receber pouco volume de insulina por aplicação precisam de seringas com menor volume (30 – 50U) e os animais com pouca capa de gordura precisam de agulha adaptada pro seu score corporal.

Uma observação importante: as seringas com capacidade de 30U e de 50 U são marcadas de 1 em 1 unidade, facilitando os animais que precisam de dose total ímpar, ao contrário das seringas de 100 U que são marcadas de 2 em 2 unidades, possibilitando somente aplicação de total de dose par.

O início do tratamento com insulina requer acompanhamento rigoroso, até que o animal e o proprietário estejam adaptados com a rotina. Leva em média de 30-40 dias até que o veterinário possa definir a dose diária e a frequência de aplicações (uma ou duas vezes ao dia) que o animal irá precisar. Para isso é preciso fazer um exame chamado curva glicêmica, que diz se a dose de insulina foi efetiva, quanto tempo ela agiu no organismo do animal e valor mais alto e mais baixo de glicemia. Para fazer este exame, o animal fica internado na clínica por pelo menos 8-12 horas, e seu sangue é colhido a cada 1 ou 2 horas, e dosado a glicemia. Com o resultado em mãos o veterinário irá fazer adaptações no tratamento. Este exame é importante ser feito a cada 3 meses nos animais diabéticos, pois em algumas fases da vida e em algumas condições, a dose de insulina poderá sofrer variação. No caso dos gatos, a avaliação pode ser feita somente pela frutosamina.

Hemograma, análise de função renal, hepática e exame de urina também devem ser feitos rotineiramente no animal diabético, pois o fígado é um dos órgãos que pode sofrer consequências da doença em longo prazo e várias doenças em outros órgãos, pode comprometer o controle glicêmico do paciente diabético.

Nas fêmeas, é indicada a castração assim que possível, pois o cio e os hormônios presentes nessa fase dificultam muito o controle glicêmico.

Assim que o proprietário e o animal diabético acostumarem com a rotina de tratamento e estiverem bem adaptados, uma monitoração doméstica de glicemia pode ser iniciada. Isto é feito com uso de glicosímetros portáteis, que usam fitas reagentes e uma gotinha de sangue (que pode ser colhido no lábio, orelha ou coxim) para analisar a quantidade de açúcar do sangue. Com isso o proprietário poderá identificar mais rapidamente situações emergenciais como hipoglicemia ou hiperglicemia e procurar o veterinário imediatamente.

Mesmo com o tratamento sendo feito corretamente os cães podem desenvolver problemas secundários ou concomitantes a diabetes. O principal deles é a catarata. Quase 100% dos cães diabéticos desenvolvem catarata, e consequente problema visual nos primeiros 6 a 24 meses, isso é inevitável.

Outros problemas comuns aos pacientes diabéticos é a maior chance de desenvolver infecção urinária e nas fêmeas, de desenvolver de piometra (infecção uterina). Nos pacientes que fazem uso de insulinoterapia, crises de hipoglicemia podem acontecer, e geralmente estão associadas à dieta incorreta ou dose alta de insulina. Uma hiperglicemia elevada [acima de 500 mg/dl] pode evoluir pra um quadro grave chamado de cetoacidose diabética que se não diagnosticada a tempo, e tratada de forma emergencial pode evoluir para o óbito do animal.

Observações importantes:

  • a agulha de insulina é finíssima. Os cães e gatos sentem pouco incômodo com as injeções. Alguns animais mais sensíveis podem ser ensinados após cada injeção, receber uma recompensa, como por exemplo, um brinquedo, um passeio, afagos e brincadeiras. Assim mesmo ele não gostando da injeção, saberá que será recompensado em seguida facilitando assim a aplicação.
  • a rotina de horário é parte essencial para o tratamento de um animal diabético. Horários fixos de alimentação (2-3 vezes ao dia para os cães, no caso dos gatos quantidade fixa de alimento, porém deixada a vontade) bem como horário fixo de medicação são de extrema importância para evitar variações bruscas na glicemia.
  • Algumas medicações não devem ser usadas em pacientes diabéticos, bem como petiscos caninos comuns no mercado, é contra indicado.
  • A rotina de horários do paciente diabético pode perfeitamente ser adaptada a rotina de seu proprietário.

“Dona Maria Aparecida e Belinha, mais uma história de amor”

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